O próximo Congresso e o futuro do PCP

abaixo-assinado de militantes antecedendo o 17º Congresso

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Caros camaradas:

Como membros do PCP partilhamos convicções e aspirações temperadas e alimentadas por muitas lutas comuns. Vivemos as inquietações, as incertezas e as interrogações do nosso tempo. Sofremos com as perdas de influência eleitoral, social e política do Partido. Recusamos, tanto as lógicas de catalogação, divisão e marginalização de comunistas com base nas diferenças de opinião expressas como os ataques sistemáticos ao PCP.

Não abdicamos de compreender e aprender com os insucessos e os erros. Em Portugal e no Mundo. De procurar os caminhos da actualização do projecto comunistas, da sua capacidade de atracção e do seu potencial mobilizador e transformador.

O processo preparatório do próximo Congresso e as orientações propostas não respondem aos males de que padece o Partido nem constituem, em nossa opinião, o caminho para reforçar o indispensável papel do PCP nos combates do futuro e na construção exigente duma verdadeira alternativa à esquerda.

Não é certamente este o rumo capaz de levar a bom porto as esperanças e os ideais em que sucessivas gerações de comunistas investiram o melhor das suas capacidades e das suas vidas. É antes o caminho que facilita a divisão dos comunistas e o fechamento sectário e crispado do PCP. A marginalização e a perda do contributo de muitos camaradas. A cristalização dogmática da teoria em vez da abertura fecunda à investigação, ao debate e à reflexão. O reforço duma lógica de centralização autoritária, quando mais necessário seria o apelo e abertura à descentralização e à participação responsável de todos os comunistas.

Caros camaradas:

Sabemos que o tempo que vivemos não é fácil para os ideais comunistas. Que as dificuldades actuais não radicam apenas em problemas de orientação e direcção.

Mas sabemos também que a sua superação, ao serviço de um PCP renovado e fortalecido, exige o envolvimento de todos os comunistas.

Insistimos: se todos. Para o que é preciso criar as necessárias condições de atracção, de restabelecimento da confiança e de participação.

Acreditamos que o caminho que melhor serve, dá sentido e mais futuro ao honroso património de valores, realizações e aspirações de que o PCP é portador, é o da superação das lógicas internas de intolerância, de rotulagem e de exclusão. É a exigência de uma orientação e uma prática orientadas para a recuperação do PCP como casa comum de todos os comunistas portugueses. Capaz de mobilizar o contributo de todos para a renovação, o rejuvenescimento e o fortalecimento orgânico, político e teórico do PCP.E de reforçar a influência e a credibilidade do PCP junto dos trabalhadores, da juventude, dos investigadores, criadores e técnicos, dos sectores sociais mais dinâmicos e com potencial transformador e de progresso.

Face à desastrosa política do governo de Santana Lopes, à ofensiva neo-liberal e à escalada belicista dos EUA, faz falta um PCP mais activo, mais capaz de mobilizar a esperança e as energias populares e de agir no quadro de uma esquerda plural para a construção duma real alternativa política em Portugal e para fazer crescer o movimento dos que, aqui e em todo o lado, se batem contra a política de guerra e por um mundo melhor, mais justo, democrático e solidário.

Apelamos, antes que o caminho em curso produza novos e irreparáveis prejuízos à unidade dos comunistas, para que os órgãos de direcção e o conjunto dos membros do PCP evitem que o próximo Congresso seja mais um negativo passo no fechamento do Partido. Para que abra antes as portas e crie condições para o necessário debate – participado, amplo, responsável e informado – que é preciso fazer.

Com as energias, as vontades e a contribuição de todos os comunistas, é possível cumprir a necessária renovação e fortalecimento do projecto político comunista e da sua capacidade de mobilização, transformação e influência na sociedade portuguesa!”

O debate está aberto e espero que seja participado e livre de preconceitos.