DO SOCIALISMO PREMATURO PARA O SOCIALISMO DO FUTURO  

(publicado na revista Vértice em Julho de 1990)  

Fernando Penim Redondo

 

 

1. A LESTE DO PARAÍSO

Toda a informação que nos vai chegando tenta convencer-nos de que os países do Leste não só não conseguiram o seu paraíso utópico como, isso sim, se encontram afinal a Leste do Paraíso (que é nosso e só nosso).

Claro que ninguém contesta o falhanço de uma experiência que, para além do mais, constituiu uma referência para várias gerações. Tal falhanço deve, até por isso, ser analisado e caracterizado. Sem essa alternativa, que o Socialismo apesar de tudo constituía, a vida torna-se demasiado triste (mesmo para quem vive no paraíso como é o nosso caso).

Nas páginas que se seguem tentaremos interpretar os acontecimentos que conduziram à situação actual nos países até há pouco referidos como "socialistas" e que nós designaremos, englobando o conjunto dessas experiências, como do "Socialismo Prematuro". Explicaremos porquê.

Também dedicaremos algum esforço a uma tentativa de posicionar o tempo actual, por analogia com as fases da transição do Feudalismo para o Capitalismo, relativamente à emergência de um modo de produção sucessor do Capitalismo. Chamemos-lhe o Socialismo do Futuro (ou com Futuro).

Somos portanto seguidores e admiradores de Marx embora, como vamos ver, não consideremos correcto tudo o que ele produziu.

Passaremos depois a um esboço de caracterização desse novo modo de produção bem como à tentativa de redefinir o papel de um partido revolucionário, à luz dos novos conceitos

 

1. A LESTE DO PARAÍSO

2. OS LIMITES DE UMA TEORIA VANGUARDISTA

3. O INSUCESSO DO SOCIALISMO SEM CONSUMO

4. O SOCIALISMO PREMATURO

5. ONDE SITUAR O MOMENTO ACTUAL NO PROCESSO DE TRANSIÇÃO ?

6. O DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA BASE MATERIAL

7. A GESTAÇÃO DAS NOVAS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO

8. O SOCIALISMO DO FUTURO

9. NOVO PAPEL DOS PARTIDOS REVOLUCIONÁRIOS